E tudo que eu amar, vai encontrar de alguma forma, os vestígios desse perfume de Deus. (Ana Jácomo)

sábado, 21 de abril de 2012

Salvem-se

Num só olhar, rastos de esperança. Profundidade entre traços de expressões ainda se vê. A crença na humanidade do outro em pingados se mantém de pé. Quanta escassez. Falta de amor sendo exposta através do desrespeito com as diferenças. Uma tirania exercida na alma. Valores sustentados como os corretos desde a antiguidade sufocam vidas. Pessoas são mortas todos os dias com a indiferença qualificada como justa. Numa sociedade dita como popular e laica, só se enxerga o controle. Domínio sobre as emoções, escolhas e privacidade de cada um como fiscalização pra evitar o que "parece", apenas parece, não ser semelhante. Um mundo em correria nos avanços tecnológicos, mas pouco evolucionista de si. O amor que é pregado não protege, abandona. Não é suave, maltrata. E também me sangra. A tua dor me sensibiliza a perceber que nossas vidas são entrelaçadas. E que este entrelaço é mais uma perfeição proposital de Deus nos sussurrando: ei, deem- se as mãos! Salvem-se da ignorância de si pra poder ver a mim, o amor, não o opressor. Quando feres o intimo do outro, destróis a ti, e é morte em mim.

sábado, 10 de março de 2012

Des/aprender

Aprendendo a desaprender. Desaprendendo, desapegando das prisioneiras fórmulas, formas e conceitos. Deixando passagem, espaço e lugar pro novo, oposto e variável. Estou aprendendo a desenhar sem as mãos. A escutar com risos e a cantar no sono. É gostosa essa diversidade do conhecer, do se dar a oportunidade de enxergar. Passear por trechos escondidos. Atravessar pontes em direção ao encontro. Ao encontro de ti, do mim até antes inexistente.

Estou aprendendo a cuidar com os olhos também. A amar sem pressa, na calmaria de quem não tem nada a perder. E não há o que perder. Há o que se transformar. Uma manifestação sensual do mudar que melhora, que cria e desabrocha, mas sem raízes, porque estão livres, criando voo na alma. Numa alma onde o pouso é o mesmo que uma marcha progressiva que tem como prazer, nada mais e nada menos do que se sentir e sentir o outro de verdade.

Em todos os cantos existe um sentido com uma voz rouca ou suave. Vestido com uma simplicidade que arrepia, que aguça a curiosidade. E me faz querer des/aprender.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Bem

Homem bonito, tens me feito um bem que nem sabes. Tua paciência e atenção tem tratado de mim como uma arte. E, ah moço, se pudesses ver meus olhos agora, receberias declarações que minha boca - ainda - não ousa falar. Eu sinceramente não sei onde isto dará, mas sei que me tornas mais leve. Tenho suspirado além do normal por ti. Teu apreço tem me dado apoio. Me sinto segura, protegida contigo ao lado. Digamos que nem preciso falar tanto pra entenderes minha alma. A realidade é que nos entendemos com simplicidade. Quando me olhas, tenho a sensação que estais desvendando os segredos que nem eu consigo ver em mim. Eu gosto de te ouvir, porque sinto verdade. E esta tua delicadeza que tira meu cabelo do rosto e entrelaça nossas mãos? Te sinto doçura. Só sei, e repito, que tens me feito um bem danado. E fico eu, daqui, sorrindo pra ti. E Deus, de lá, sorrindo pra nós dois.

No som do teu riso, ouço Deus falar comigo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

São só desculpas pra falar de ti

Desculpa, mas eu tenho essa mania de ver poesia em tudo. E tu foi a poesia mais bonita que eu li no meu dia. Li tentando não me apegar. Li tentando não querer te ler novamente. E reli, porque a sinceridade está tão escassa neste mundo, Bein, que a abundância dela em ti só me fez pensar:devo re/aproveitar em mim. Sim, desculpa, eu também tenho essa mania de doar meu coração à sinceridade. Clarice soube bem disto ao falar:o bonito me encanta. Mas o sincero, ah! Esse me fascina. Agora sabes o que me é absurdo? Cada vez que te re/leio, eu volto - como naquele filme ou livro - e digo:cara, eu não tinha percebido isto, eu nem tinha visto. Mais uma novidade. Uma raridade tua. Fico surpresa. Metade boba e a outra metade com raiva de estar boba. Até perco as estribeiras, fico sem graça quando me pegas te olhando. Perdi toda a descrição que existia em mim. Por gentileza, dá pra devolver? Não precisa ficar tão claro assim. Posso te espiar, olhar como quem não olha ou olha por acaso. Posso te olhar de lado ou me contentar sem te olhar, por poder sentir teu cheiro. Que feio isto teu, de ser transparente e acabar deixando o outro explícito apenas por te conhecer. Mentira! É bonito demais! Desculpa, também não sou muito boa pra declarar mentiras, elas sempre saem meio tortas - consequências delas - e volto pra verdade. Então não ousa me perguntar nada, por favor! Não por achar que mentiria pra você - como se permitisses - e sim, por ... não,para! Muito nervosismo pra um ser. Está vendo? Eu não curto. Não é nada legal eu não conseguir me controlar. É chato. É aquele irritante que rasga um riso no teu rosto. Que te faz sonhar acordada ou flutuar com os pés no chão. Isso não é normal, gente! É muito amor. E isto também está em falta. Ei, não em ti. Muito amor eu vejo quando te olho. Desculpa! Pro amor, eu não deixo de olhar.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Além das janelas

Foi pra janela. Esperar o amor passar. Olhou pro céu e como menina pequena que parece ser e é, sorriu toda admirada, como quem foi agraciada. Há tanto tempo ficou distante. Sua vida estava tão corrida que tinha desamparado o que existia além das janelas. Tinha se esquecido da bondade presente nas madrugadas e de como se sentia viva com elas. Lembrou- se das conversas brilhantes trocadas com Deus na obscuridade. Das gotas que pingavam dos olhos com a cerimônia de visibilidade e ventania. Dos sonhos guardados na constelação. E do quanto um azul pode ser infindo.

Menina coruja. Amante da noite. Aquela que enxerga melhor na escuridão, recordou-se do dom que possui nos olhos. Da dádiva que deixou de lado e pouco depois enterrou. Sorte, que algumas coisas não morrem, são mimos que não podem ser devolvidos. Estão ali, a nossa espera. Porque talento é divino, não se perde. E se quisermos nos aventurar, optarmos por caminhos distintos e longínquos, não importa. Uma hora ou outra o reencontro acontecerá, e muitas vezes somos nós quem acabamos provocando. O dote natural é ardente, ferve por dentro. E produz amor em quem também presencia. E é vida!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Teatro fantástico da realidade

Há um horizonte todo verde bem aqui, aí, ali. Onde há beijos de chuva e voz sintonizada ao violão. Há sol, estrelas e mar dentro de casa. Só não vale se apegar. Basta amar e o mais lindo te acompanhará, com calor nos olhos, pés descalços e nuvens nas mãos.

Neste lugar se pode desenhar a primavera, sentir cheiro de criança e vestir-se de algodão. Correr pelo parque, deslizar nas bolhas de sabão comendo bolo de chocolate. Pode tocar o céu com o dedo mindinho, mudar as cores do arco-íris e abraçar Deus toda hora que der vontade. Neste mundo, prender-se é abominável. E quem se arrisca, é presenteado com doces de luz .

As almas se comunicam pelo silêncio do olhar sincero. E em cada sorriso, é derramado potes com magia do céu.

O horizonte verde pode te parecer uma esperança irrealizável, mas quantas expressões transparentes já nos tiraram do poço? Quantos textos, filmes e músicas já emocionaram? Quantos abraços já abriram celas internas?  Percebermos que podemos redesenhar vidas, é um teatro fantástico da realidade.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O melhor em mim

Moça, ouvir dizer que teu sorriso está mais largo e que teus olhos estão apresentando o espetáculo da tua paz. Fico feliz ao imaginar o que dizem ver, mas que eu, daqui, não posso. Também confesso que uma hora ou outra, bate uma tristeza na alma. Aquele mesmo sentir do início do nosso afastamento. Embora logo passe ao saber que ficaste mais linda. Eu não sei o que tens ouvido sobre mim por aí. Talvez, que estou compondo com certa frequência ou até em proporção maior observado os distintos cenários, ou mais, chorado de rir com qualquer baboseira. Mas moça, por mais que examinem o moço aqui, eles nunca terão a mínima noção da falta que me fazes. Do quanto modelasse minha essência. Das conversas jogadas entre nós em noites de frio e calor. Do quanto me convidasse pra dar gargalhada das tuas loucuras e me misturar a elas. E como se nada tivesse existido entre nós, hoje vivemos como dois estranhos. O telefone está calado. Não lembro mais as palavras da última mensagem que te enviei e que até este dia, não recebi resposta. Soube que há um rapaz que tem te arrancado suspiros e olhares, olhares estes de um só destino. Sorte deste menino, menino sim. Nenhum moço é capaz de se tornar homem sem se deparar com a meninamulher que és.

Estou partindo. Levo na mala tuas primeiras palavras. O jeito que bagunçavas meu cabelo. Os beijos dados nos meus olhos. Ah, quanto afago. Levo tuas histórias, teus sms que me acordavam nas madrugadas. Levo teu som, teu cheiro, teu toque. Levo o melhor de mim. O melhor em mim. E te deixo com desejos de amoramoramor junto, mútuo, interminável como o sol que bordaste na escuridão do meu peito.